Publicado em Dicas, Indicação, Leitura, Literatura estrangeira, Literatura juvenil, Livros, Opinião

Todos de pé para Perry Cook – Leslie Connor

TODOS_DE_PE_PARA_PERRY_COOK_1484044383643481SK1484044383B

Sinopse: Perry Cook, aos 11 anos, só conheceu uma casa: o Instituto Penal Misto Blue River. Mas apesar de ter nascido e sido criado em uma penitenciária, ele não deseja viver em nenhum outro lugar; lá ele tem a mãe, a benevolente diretora e um grupo de prisioneiros divertidos e bondosos que lhe ensinam lições valiosas todos os dias. Quando, porém, o novo promotor descobre a permanência irregular de Perry em Blue River, ele resolve libertar o menino, mesmo contra a vontade dele. Em sua jornada para se reunir com a mãe, Perry vai mergulhar não só em uma investigação sobre o crime que a levou à prisão mas também em uma jornada emocionante e divertida, perfeita para fãs de Extraordinário e O menino do pijama listrado.

start.fw

TODOS DE PÉ PARA PERRY COOK. Título diferente, não é mesmo?! A sinopse também nos chama a atenção para uma história aparentemente diferente, de um garoto de 11 anos que foi criado em uma prisão junto a mãe e outros reclusos. Esse é Perry Cook, um garoto adorável, inteligente e esperto que vive em Blue River, um instituto penal que fica na pequenina cidade de Surprise, em Nebraska . Tudo isso acontece porque, quando sua mãe foi condenada por um crime que pode não ter sido culpa dela, ela estava grávida de Perry, e, após o seu nascimento, a diretora do instituto, a senhora Daugherty, o acolheu lá para que não ficasse longe de Jéssica Cook. Acontece que um tal de Thomas Van Leer, promotor público no condado de Butler, toma conhecimento de que o garoto vive ali irregularmente e o tira de perto da mãe, levando-o para morar em sua casa. Coincidentemente, Van Leer é padrasto de Zoey, sua melhor amiga de escola, e a partir dali os dois passam a dividir seus dias e Perry ganha como aliada a senhora Samuels, mãe de Zoey. Então, por causa de um trabalho passado na escola pela professora, Perry acaba querendo descobrir por qual motivo a mãe foi presa, e se envereda em uma busca que move a história, sempre com muita delicadeza e emoção.

É contagiante a forma como as pessoas se envolvem com Perry Cook, como se ele fosse um anjo que as trazem sob suas asas, protegendo-as das angústias do mundo, e não o contrário. Senti durante a leitura um Perry adulto, maduro para a sua idade, ainda que dormisse dentro do armário do quarto como se aquele fosse o seu quarto em Blue River e sua proteção. Uma ternura só…

16864432_1779038075455640_1316920619049642214_n
IMAGEM: Editora HarperCollins Brasil

Bom, valeram as expectativas e, claro, a leitura. Um livro simples, mas que guarda em suas entrelinhas uma lição de amor e esperança que me fez chorar e sorrir e ter a certeza de que, quando acreditamos, podemos alcançar nossos objetivos.

Fica a dica!

Dei para Perry Cook ❤ ❤ ❤ ❤ ❤ Ooohhh! 😀

E só para que eu não me esqueça…

“- Bom dia – digo com minha voz lenta e baixa – aqui é o Perry Cook no nascer do sol. Hoje é  sexta-feira, 12 de outubro, dia das crianças…  “

Assinatura18.fw

 

Anúncios
Publicado em Dicas, Leitura, Literatura, Livros, Opinião

Desafio literário: dois livros por mês? Não, apenas “A bibliotecária de Auschiwitz” – Fevereiro

A_BIBLIOTECARIA_DE_AUSCHWITZ_1405484070BAh, meus queridos leitores!

Permitam-me ser contraditória ao dizer que acabei de ler um livro muito triste e ao mesmo tempo tão, tão lindo. Sim, “A bibliotecária de Auschwitz” proporcionou-me essa experiência de conhecer o trágico e o belo em uma só leitura. Inclusive fechei Fevereiro apenas com esse livro lido e, portanto, não cumpri a meta número 1 do desafio literário referente a esse mês. Também, o que importa isso se pude degustar cada página de A bibliotecária, sorvendo bem toda poesia com que essa história foi contada? Como eu disse, apesar de ser um livro que narra um dos maiores flagelos da humanidade que foi o holocausto, a linguagem que o autor usa para contar a história de Edita Adlerova, uma menina judia de 14 anos, em Auschwitz, é de uma sensibilidade tão grande que rapidamente fui contagiada por esse lirismo e me deixei levar em uma viagem àquele tempo sem resistência alguma. Claro que sofri ao deparar-me com as condições sub-humanas em que viviam os judeus nos campos de concentração e que bateu uma revolta diante das atrocidades cometidas contra eles. Já li muitos livros que abordam esse tema, mas nunca desci tão fundo às misérias que esse povo sofreu como foi em A bibliotecária. No entanto, a existência de uma escola secreta para as crianças em Auschwitz-Birkenau, com professores, brincadeiras, músicas e livros (ah, os livros…) deu à história momentos de respiro que aliviava a tristeza em minha alma. Leram meu post sobre o livro como santo remédio? Assim era no bloco 31, do campo familiar BIIb de Auschwitz, onde funcionava a escola mantida sob a direção do dedicado professor Fred Hirsch, dos olhares atentos dos soldados nazistas e do médico Joseph Mengele, o qual dispensa apresentações, não é mesmo? Dita (como todos chamavam a menina Adlerova) cuidava dos livros clandestinamente, pois eles, assim como o uso de qualquer outro material escolar, não eram permitidos. Os exemplares, todos desgastados e/ou danificados, tornaram-se um passaporte para que as crianças, jovens e até os adultos se transportassem para lugares bem longe daquele sofrimento, da fome, do frio, das doenças e da morte aos quais estavam sujeitos todos os sobreviventes ali.

“A bibliotecária de Auschwitz” é uma história baseada em fatos reais, e as personagens às quais me afeiçoei (assim como as que eu odiei) fizeram realmente parte desse acontecimento. Por algumas semanas elas fizeram parte de meus dias também… Eu senti, através da minha leitura, a dor de cada uma delas, mas alimentei ao mesmo tempo a esperança de que aquele lugar tenebroso não seria a última viagem de suas vidas. Por isso, não poderia ter sido sem lágrimas que cheguei ao fim do livro. Não há como nem descrever como o meu choro ganhou liberdade junto com Dita e tantos outros prisioneiros, quando os soldados aliados apareceram para resgatá-los. Pena que o sentimento de tristeza pelas milhões de perdas ocorridas até ali tenha ofuscado esse momento pelo qual tanto esperaram. Hoje, muitos anos depois, as histórias cujo pano de fundo é o holocausto continuam por aí vivas, profundas e ainda conseguem nos surpreender de alguma forma. Eu sou grata por ter conhecido Dita Adlerova e todos que fizeram parte da sua caminhada como a bibliotecária de Auschwitz. Aprendi com eles que a coragem é algo que nos move para frente junto com os nossos sonhos, que a vontade de viver muitas vezes supera qualquer humilhação e que o nosso verdadeiro caráter é o que levamos conosco pela vida inteira.

Eu recomendo esta leitura, com certeza!

Um abraço sincero…

Assinatura blog.fw