Desafio literário: dois livros por mês? Não, apenas “A bibliotecária de Auschiwitz” – Fevereiro

A_BIBLIOTECARIA_DE_AUSCHWITZ_1405484070BAh, meus queridos leitores!

Permitam-me ser contraditória ao dizer que acabei de ler um livro muito triste e ao mesmo tempo tão, tão lindo. Sim, “A bibliotecária de Auschwitz” proporcionou-me essa experiência de conhecer o trágico e o belo em uma só leitura. Inclusive fechei Fevereiro apenas com esse livro lido e, portanto, não cumpri a meta número 1 do desafio literário referente a esse mês. Também, o que importa isso se pude degustar cada página de A bibliotecária, sorvendo bem toda poesia com que essa história foi contada? Como eu disse, apesar de ser um livro que narra um dos maiores flagelos da humanidade que foi o holocausto, a linguagem que o autor usa para contar a história de Edita Adlerova, uma menina judia de 14 anos, em Auschwitz, é de uma sensibilidade tão grande que rapidamente fui contagiada por esse lirismo e me deixei levar em uma viagem àquele tempo sem resistência alguma. Claro que sofri ao deparar-me com as condições sub-humanas em que viviam os judeus nos campos de concentração e que bateu uma revolta diante das atrocidades cometidas contra eles. Já li muitos livros que abordam esse tema, mas nunca desci tão fundo às misérias que esse povo sofreu como foi em A bibliotecária. No entanto, a existência de uma escola secreta para as crianças em Auschwitz-Birkenau, com professores, brincadeiras, músicas e livros (ah, os livros…) deu à história momentos de respiro que aliviava a tristeza em minha alma. Leram meu post sobre o livro como santo remédio? Assim era no bloco 31, do campo familiar BIIb de Auschwitz, onde funcionava a escola mantida sob a direção do dedicado professor Fred Hirsch, dos olhares atentos dos soldados nazistas e do médico Joseph Mengele, o qual dispensa apresentações, não é mesmo? Dita (como todos chamavam a menina Adlerova) cuidava dos livros clandestinamente, pois eles, assim como o uso de qualquer outro material escolar, não eram permitidos. Os exemplares, todos desgastados e/ou danificados, tornaram-se um passaporte para que as crianças, jovens e até os adultos se transportassem para lugares bem longe daquele sofrimento, da fome, do frio, das doenças e da morte aos quais estavam sujeitos todos os sobreviventes ali.

“A bibliotecária de Auschwitz” é uma história baseada em fatos reais, e as personagens às quais me afeiçoei (assim como as que eu odiei) fizeram realmente parte desse acontecimento. Por algumas semanas elas fizeram parte de meus dias também… Eu senti, através da minha leitura, a dor de cada uma delas, mas alimentei ao mesmo tempo a esperança de que aquele lugar tenebroso não seria a última viagem de suas vidas. Por isso, não poderia ter sido sem lágrimas que cheguei ao fim do livro. Não há como nem descrever como o meu choro ganhou liberdade junto com Dita e tantos outros prisioneiros, quando os soldados aliados apareceram para resgatá-los. Pena que o sentimento de tristeza pelas milhões de perdas ocorridas até ali tenha ofuscado esse momento pelo qual tanto esperaram. Hoje, muitos anos depois, as histórias cujo pano de fundo é o holocausto continuam por aí vivas, profundas e ainda conseguem nos surpreender de alguma forma. Eu sou grata por ter conhecido Dita Adlerova e todos que fizeram parte da sua caminhada como a bibliotecária de Auschwitz. Aprendi com eles que a coragem é algo que nos move para frente junto com os nossos sonhos, que a vontade de viver muitas vezes supera qualquer humilhação e que o nosso verdadeiro caráter é o que levamos conosco pela vida inteira.

Eu recomendo esta leitura, com certeza!

Um abraço sincero…

Assinatura blog.fw

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