A amante do oficial, de Pam Jenoff

Apesar de serem tristes, tenho uma certa atração por histórias que envolvem a Segunda Guerra Mundial. É contraditório sentir prazer em ler narrativas cujo holocausto – época em que milhões de vidas foram ceifadas pelo governo nazista na Alemanha – aparece como um cenário sombrio, desumano e perturbador da trama, mas é também verdade que as mazelas da vida costumam despertar a nossa atenção, quando sequestram o nosso emocional e nos mantem reféns do sofrimento e da dor do outro. Então, ao escolhermos histórias sobre o genocídio judeu, optamos em viver um pouco do que esse povo passou naquela ocasião com nosso olhar indignado e um coração cheio de revolta contra soldados e cidadãos alemães e qualquer um outro que tenha sido a favor de tal barbárie. Eu me debulho em lágrimas, sim, todas as vezes que leio um livro sobre o tema, e todas as vezes sinto-me exausta física e psicologicamente ao terminá-los. Falei sobre isso também no post A bibliotecária de Auschiwitz, sobre como entramos de corpo e alma na vida dessas personagens e como saímos dela.

Aí, pela primeira vez li um livro sobre o tema que me fez ver uma personagem pertencente ao governo alemão com olhos condescendentes. Não sei se foi a intenção da autora despertar esse sentimento nos leitores (no fundo creio que não), mas sei que aconteceu comigo, levando-me, inclusive, à reflexão sobre como direcionamos o nosso sentimento preconceituoso à pessoas que fazem parte de determinados grupos que não são bem quistos na sociedade em que vivem. sem levar em conta que seu caráter nada tenha a ver com o padrão.

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A amante do oficial, de Pam Jenoff – Editora Harper Collins – conta a história da judia Emma Brau, de apenas 18 anos, recém-casada com o também jovem Jacob, integrante da Resistência durante o domínio alemão na Polônia. Como Jacob precisa partir para ajudar na “luta”, Emma se vê obrigada a ir morar com os pais no gueto de Cracóvia. Porém, em uma calada da noite qualquer, alguém a recolhe de lá. Ela ganha nova identidade e passa a ser Anna Lipowski, uma moradora comum da cidade, tudo sob a proteção de Krysia, tia católica de Jacob, com quem passa a morar. Nesta parte já podemos concluir a quem atribuir a autoria do resgate de Emma.

Na casa da Sra. Krysia, durante um jantar oferecido por esta dama da sociedade, Emma/Anna conhece o comandante nazista Georg Richwalder, um verdadeiro gentleman e um homem bastante atraente também, que, rendido aos encantos da judia, a convida para ser sua secretária no governo de Cracóvia. Com objetivos de manter o disfarce e ajudar a Resistência, Emma/Anna aceita o cargo e passa a trabalhar no gabinete dele e a espionar os alemães e seus planos secretos.

Daí, como poderia se esperar, surge uma forte atração entre os dois. Emma/Anna não resiste ao charme do comandante nem a sua atenção e carinhos. Seus pensamentos são os de que isso é uma oportunidade de ajudar ainda mais a Resistência, por ela ter acesso ao apartamento de Georg, onde poderiam haver documentos importantes e de interesse para o grupo. Sinceramente? Essa pode ter sido a sua intenção, mas eu creio que, na verdade, ela quis foi dar vazão aos seus desejos mais secretos de mulher, pois seus encontros com o comandante são bem apaixonados, apesar da culpa que sente. A relação amorosa entre os dois é também muito triste, devido às circunstâncias, ainda que renova em Georg as esperanças no amor, já que seu passado nesse campo da vida é marcado por lembranças dolorosas para ele.

Bom… Se passo disso, revelo o desfecho da história, e aí não há surpresas. Acredito que a grande questão que envolve esse romance é com quem Emma/Anna ficará no fim. Deixo apenas duas perguntas.

1. Um comandante alemão da Segunda Guerra pode se redimir e largar tudo para viver um grande amor com uma judia ou o mocinho da história sobreviverá para seguir com sua vida ao lado da esposa?

2. Para qual casal seria a sua torcida?

E para terminar, A amante do oficial ganhou ❤ ❤ ❤ ❤ por conta do final que eu quis muito, muito que fosse diferente. Quem já o leu, talvez, me entenda.

Abraços!

Assinatura18.fw

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2 comentários em “A amante do oficial, de Pam Jenoff

  1. Aiii, eu também queria um final diferente! Acabei de ler o livro, e estou ainda assimilando o fim da história, como sempre acontece quando termino de ler algo que me toca. Super entendo o que você quis dizer! Abraços

    Curtido por 1 pessoa

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