Por lugares incríveis, de Jennifer Níven

Ultimamente, como se tem feito adaptações de livros para filmes e séries, não é mesmo? Sinceramente, não sei se acho isso bom ou ruim. Ainda não consegui formar uma opinião sobre o assunto. A única certeza que tenho é a de que nada supera a beleza e o prazer que a leitura pode nos proporcionar. Enquanto isso, em breve, a Netflix vai lançar um filme baseado na obra Por lugares incríveis, de Jennifer Niven, cuja história é de enternecer corações, mas que também é capaz de nos despedaçar, dependendo do estado em que se encontrar nosso emocional. Isto por envolver um tema bem sério que é o suicídio, o qual, aos poucos, tem deixado de ser um tabu para ganhar espaço em discussões e debates sobre saúde e bem-estar de crianças, adolescentes e jovens do mundo todo.

Sinopse:Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, a garota se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los. “Me apaixonei por Violet e Finch antes mesmo de se apaixonarem um pelo outro. A jornada deles, que começa no topo de uma torre, é adorável e inteligente e corajosa. Vai partir seu coração e relembrar o que significa estar vivo.”

Eu li esse livro no ano de 2015. Já faz um bom tempo, mas me lembro com clareza de que essa história mexeu muito comigo. Na época eu ainda não tinha blog, por isso fiz um registro bem simples sobre ela no caderno de leituras, só mesmo para colocar minhas impressões, porque assim gosto de fazer. Pois bem, resgatei tal registro e o trouxe como indicação de leitura que nos leva a reflexões sobre a vida, que valem muito a pena.

Por lugares incríveis é uma narrativa, em primeira pessoa, poética e doce, contada por dois adolescentes, Violet Markey e Theodore Finch, que passam por conflitos pessoais diferentes, mas que os unem em um sentimento de amor puro e de descobertas. Eles se conhecem na torre da capela da escola, quando pensamentos suicidas passam pela cabeça de ambos. Ali, eles se salvam, se entregam a uma forte amizade e se ajudam a superar os medos e angústias que vivenciam. E como não poderia deixar de ser, engatam um namoro cheio de surpresas, originalidade e esperança, principalmente em nós leitores. Eu me deliciei com as aventuras que os dois vivem na história – eles viajam “por lugares incríveis” de Indiana, estado em que moram, seguindo um mapa antecipadamente marcado – e, também, torci muito para que eles se encontrassem consigo mesmos, resolvendo suas lutas internas e curando suas dores.

Sabe, poderia ser uma história qualquer entre dois jovens que descobrem o primeiro amor e só, mas não é assim que acontece. Talvez nem chegue a nos surpreender o desfecho dela, porém não deixa de ser bem tocante no que se refere às fragilidades da vida. Triste e bonito ao mesmo tempo, assim como forte e singelo. É por isso que me rendo às páginas que nos trazem histórias como as de Finch e Violet, cuja sensibilidade e dureza nos despertam para a vida real que está bem sob nossos narizes.

Abaixo uma montagem especial sobre a história, que fiz há um tempo para um outro post aqui do blog. Ela resume bem a história de Finch e Violet sob o meu ponto de vista. Um destaque para os post its em que Finch anotava palavras e pensamentos e pregava na parede de seu quarto, transformando aquela composição de papeizinhos coloridos em uma tela de seus sentimentos. Achei lindo demais!

Agora é torcer para que o filme não seja uma decepção como tantos outros por aí já foram, pelo menos para nós que lemos o livro e o sentimos com o coração inteiro.

Fica como dica para leitura (antes que lancem o filme!). 😀

Até a próxima!

Esposa 22, de Melanie Gideon – opinião

Sinopse: Alice e William Buckle se casaram apaixonados. Mas, dois filhos e quase vinte anos depois, Alice está entediada. Por isso, quando recebe um convite por e-mail para participar de uma pesquisa on-line sobre casamentos, ela aceita num impulso. Respondendo às perguntas enviadas por um pesquisador anônimo e carismático (Pesquisador 101), Alice (Esposa 22) tem a oportunidade de reexaminar a história do próprio relacionamento.

(Texto escrito em setembro de 2018)

Esperei muiiito para comprar este livro, pois queria lê-lo de qualquer jeito, uma vez que a sinopse me despertou de imediato esse interesse, isto sem contar a boa avaliação que recebeu e que me motivou um pouco mais. Finalmente, há pouco tempo, eu o encontrei na oferta e decidi comprá-lo. A leitura dele veio após Ainda sou eu que me frustrou um pouquinho, e eu esperava de Esposa 22 aquela leitura que não iria querer largar enquanto não terminasse. Ledo engano. Apesar de ser uma história bem escrita, com sacadas bacanas, eu o li morosamente porque não me fisgou hora alguma. Achei-a, inclusive, sem emoção, apesar de tratar sobre um tema recorrente na vida do ser humano que são as crises em um casamento.

Quem faz parte desta história são Alice, seu esposo William, seus filhos Zoe e Peter e alguns bons amigos do casal. Um dia, após vinte anos de casados, Alice cisma que seu casamento não está indo bem e resolve participar de uma pesquisa online sobre o assunto. Então, ela passa a responder às perguntas enviadas pelo Pesquisador 101 usando o pseudônimo Esposa 22. Daí, ambos se tornam íntimos e se sentem envolvidos virtualmente, o que pode acabar em uma traição dos dois lados, pois o pesquisador revela que também é casado. Ah! Um detalhe: as perguntas feitas por ele não aparecem no desenrolar da trama. Aí você pode escolher inferi-las por meio das respostas dadas por Alice, o que eu achei mais divertido, ou correr no final do livro (apêndice) para saber quais são. Enquanto isso, Alice vive às voltas das descobertas em relação aos seus filhos adolescentes, o que acaba intensificando seu sentimento de derrota em relação ao matrimônio. Será que, então, Alice resolve dar vazão ao sentimento virtual pelo Pesquisador 101 ou ela consegue resgatar seu matrimônio de tantos anos com Will? É ler para saber qual é o desfecho para uma série de mal-entendidos (?). Talvez você se surpreenda com a resposta.

Para finalizar, tiro duas coisas desta leitura: 1. A rotina pode até apagar aquele incêndio do início de um relacionamento, mas pode também solidificar o amor. 2. O mundo virtual é uma armadilha que pode capturar de tal forma que, depois, não se encontre forças para sair dela. Então, cuidado, hein! 😀

Até a próxima!

Os mocinhos das histórias de Carina Rissi

Há um bom tempo eu já queria falar um pouco sobre as histórias que li da Carina Rissi. Eu a conheci quando me encantei pela capa de um de seus livros, Procura-se um marido. Encontrei-o em uma oferta e resolvi compra-lo. A história de Alicia e Max não foi marcante para mim, mas despertou-me o desejo de conhecer outras obras da autora. Então resolvi ler No mundo da Luna logo quando assinei o Kindle Unlimited. Foi um dos primeiros que peguei emprestado. Ali eu comecei a me dar conta de como os protagonistas da Carina são tão românticos e devotados às suas amadas, e, nosso Deus!, como as donzelas são tão chatinhas em certas horas. Eu tive vontade de dar uns petelecos na Luna, por exemplo, viu?! Que mulherzinha complicada! kkkkk Ainda assim curti muito a história dela com Dante, tanto que soltei o e-reader pouquíssimas vezes, de tão ansiosa que eu estava para saber o desfecho da narrativa. Os dois trabalham na revista Fatos e Furos, nome ridículo, mas que combina com o que é publicado nela. Ele é o redator-chefe, e ela, uma telefonista/recepcionista recém-formada em jornalismo que tem a chance de ser colunista no lugar da mulher do horóscopo, que sai da empresa de repente. Vinda de uma família cigana, Luna, que tinha experiência alguma com astrologia, passa a publicar previsões tiradas por meio de um baralho de tarô. E não é que a cigana Clara, pseudônimo assumido por ela para a seção, acerta em cheio e vira um sucesso entre as leitoras e mexe com o coração do seu chefe? Bacana essa leitura. 🙂

Quando li minha última aquisição dela, Quando a noite cai, definitivamente bati o martelo. Nossa! Que livro foi esse? E faço essa pergunta não com admiração, mas com uma mistura de impaciência e frustração. Que história enjoadinha, viu?! Mais melosa impossível. A trama é até bem interessante, porém o casal protagonista, Briana e Gael, é tão grudento, mas tão grudento, que eu acabei achando tudo muito sem noção. Acho que o Gael passou da conta no romantismo e melação. Eu não curti. 😦

Graças aos anjos da inspiração, Perdida e Encontrada (dois primeiros livros da série), os quais li também pelo Kindle Unlimited, salvaram a Carina de entrar no grupo das escritoras que não me conquistaram. Em ambos, a protagonista Sofia é mandada para o século 19 por meio de um celular (hein?!), e lá encontra seu grande e verdadeiro amor Ian Clarke. Pensa bem, uma jovem mulher fazer uma viagem no tempo e viver em um mundo cujos costumes são totalmente diferentes dos seus, começando pelo seu tênis All Star vermelho, só poderia render uma boa diversão. São duas histórias surreais, porém engraçadas e sensíveis na mesma medida. O Ian também é um mocinho romântico e devotado à sua amada, mas sem ser tão piegas, e Sofia não me fez surtar com chatices sem fim. Pelo contrário, adorei o casal e a viagem no tempo que fazemos com a Sofia, a louca Sofia. Ufa! 😀

Claro que ainda há livros de Carina Rissi para serem lidos, mas não estão na minha lista de desejados. Isto não significa que não terão a sua vez. Se cairem de mãos beijadas no meu colinho, por que não ler? Afinal, se há mais algum mocinho apaixonado dela para conhecer, então vamos lá!

Até a próxima!

Esquecer para ler de novo…

Dia desses estava mexendo em meus livros nas estantes, tentando organizá-los, pois não cabem mais civilizadamente nas prateleiras, e o pensamento que me veio à cabeça foi: já li tantas histórias que amei e que, por não ter um diário de leitura nem blog na época, não registrei minhas impressões sobre elas. Que pena… 😦 Se eu pudesse voltar no tempo para fazer isso ou apagar da minha memória o que li nelas para começar uma nova leitura, pensaria em fazer assim. Claro que uma releitura é possível, mas eu creio que não causaria o mesmo impacto. Amadureceria o meu olhar sobre a narrativa ou, quem sabe, traria novas emoções, porém não seriam as mesmas surpresas, as mesmas ansiedades, os mesmos prazeres que me tomaram da primeira vez, por isso a proposta inusitada.

Entre muitos livros que li e com os quais vivi uma relação extrema de amor, seja pela alegria ou pela tristeza que me trouxeram (e quando digo tristeza, não é uma tristeza ruim, mas, sim, libertadora no sentido de me fazer pensar melhor sobre a minha vida e dar mais valor a ela no geral), listo a seguir aqueles que me arrebataram totalmente. São eles:

1. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, de Markus Zusak – Editora Intrínseca

Comprei esse livro há bastante tempo, em loja física, lembro-me perfeitamente, e ele ficou parado na estante porque começava falando de morte, com a própria contando a história, tema que eu estava evitando a todo custo na época. Contraditório, não?! Coisas de Andréa. No entanto, quando me enveredei por ele, foi com o sentimento de gratidão que fiz a leitura. Comprovei que em meio à dor e ao medo cria-se o que pode ser o mais belo e significativo na caminhada de alguém. É como o que acontece na vida de Liesel Meminger – uma menina orfã que é adotada por um casal alemão que não tem filhos -, quando ela fica amiga de um judeu que é acolhido no porão de sua casa pelos pais adotivos, durante a Segunda Guerra Mundial. A amizade que surge entre Liesel e Max é fraternal e muito bonita, mostrando que as diferenças, aos olhos de uma criança, não existem. E é simplesmente inspiradora a forma como os livros e a leitura são capazes de transformar pessoas no meio em que vivem. Liesel tem a oportunidade de descobrir esse poder e faz muito bom uso dele durante a trama. Finalizando, sei que muita gente já sabe disso, mas não custa repetir: história linda, viu?! ❤

2. CANGACEIROS, de José Lins do Rego – Editora José Olympio.

Esse livro eu li na faculdade de Letras há mais de 20 anos. Lembro que comecei a gostar de histórias sobre o sertão por meio dele, principalmente pelas questões referentes às brigas entre famílias em que a morte é inevitável e acaba ganhando um triste toque poético pela forma como é abordada.

“Cangaceiros”, último romance do autor, tem isso. É uma narrativa bem densa que gira em torno do drama amoroso e lírico vivido por Bentinho, irmão do mais cruel e temido cangaceiro da região, e Alice, cujo pai é um homem que odeia o cangaço. Imagina só! A história dos dois vai se entrelaçando às histórias das outras sofridas personagens que lutam por sua sobrevivência lá naquele sertão da década de 20 quando tudo era tão mais difícil do que hoje ainda o é. Um brasil dentro do próprio Brasil, que é algo que me fascina.

Há um tempo, inclusive, planejo fazer a releitura desta obra, porém tenho a intenção de ler antes “Pedra bonita”, do mesmo autor, romance que precedeu “Cangaceiros” formando uma unidade.

3. CHEIO DE CHARME, de Marian Keyes – Editora Bertrand do Brasil.

Saindo das histórias dramáticas para os chick lits da vida, “Melancia” foi o primeiro livro da autora que eu li, e sua narrativa me prendeu tanto que até aqui já contemplei todas as suas obras, incluindo “Dando um tempo”, seu último lançamento. Amei ler “Agora ou nunca”, história que me comoveu bastante, porém tive um encontro com “Cheio de charme” que me deixou sem ar. Lembro-me que no começo da leitura fiquei perdidinha achando que o livro estava com defeito. kkkkk Quem o leu deve me entender. Aí, depois que tudo se encaixou, nosso Deus, eu não conseguia me desgrudar daquele calhamaço de 784 páginas que me contava a história de quatro mulheres que tinham em comum um político sedutor e suas artimanhas para conseguir o que queria. E, olha, parece um romancezinho banal, mas não é não, viu?! Ele tem as minhas cinco estrelas e está na lista dos favoritos.

4. A CIDADE DO SOL, de Khaled Hosseini – Editora Nova Fronteira.

O livro mais conhecido de Khaled Hosseini é o “Caçador de pipas”. Eu, no entanto, gostei infinitamente mais de “A cidade do sol” que retrata dolorosamente as mazelas de duas mulheres afegãs ligadas pelo destino e que lutam por suas vidas da maneira que lhes é possível, já que a opressão contra elas é uma das principais características da cultura daquele povo. Apesar de ser muito triste, as histórias de Mariam e Laila nos agarram a elas com força total, principalmente quando um fio de esperança surge em suas vidas trazendo a possibilidade de se libertarem de toda dor e sofrimento por que passam. É uma história, de fato, impactante, que nos faz sentir impotentes diante das coisas que acontecem. Outra lição de vida!

5. A MULHER DO VIAJANTE NO TEMPO, de Audrey Niffenegger – Editora Suma de Letras.

Que história louca é esta! É um bate e volta constante, já que Henry, uma das personagens da narrativa, viaja no tempo, indo e vindo, passado e futuro, deixando Clare, com quem é casado (inclusive a conheceu em uma de suas viagens, quando ela era ainda uma criança), sempre na expectativa do que vai acontecer. Enquanto essas jornadas acontecem, a vida vai passando e se construindo para quem é normal, e para Henry, este reaprende a viver em cada lugar e tempo para os quais viaja.

É um livro que, apesar de surreal, nos faz refletir bastante sobre as nossas vidas e escolhas, e, principalmente, que voltar ao passado ou saber do futuro não cabe no tamanho da consciência que temos. É preferível viver no presente apenas e dar conta dele.

Aí estão cinco obras que me marcaram imensamente em minha trajetória como leitora. Claro que é só uma brincadeira a proposta de esquecer para ler de novo. Certamente, hoje, mesmo apagando da memória as impressões passadas, as novas apreciações despertariam em mim outros sentimentos, outras sensações, eu poderia chorar mais, ou menos, me arrepiar, ou não, sei lá. O que vale mesmo é que esses livros ficam como dicas de leituras a quem se interessar por eles. E eu desejo que sejam tão ricas para quem aceitar as ou alguma das sugestões, quanto elas foram preciosas para mim.

Um abração!

😀 Imagem em destaque: designed by Freepik.

Meta de leitura para janeiro/2020

2020 chegou sendo bem-vindo, com o desejo de notícias boas e muitas leituras saborosas. Não compro livros há alguns meses, porque tenho muitos esperando para serem lidos na estante. Apesar de querer muiiiito comprar várias novas publicações, decidi dar preferência aos que já fazem parte da família.

Na hora, então, de fazer uma meta de leitura para o ano, fiquei na dúvida sobre quais escolher como prioridade e resolvi selecionar por mês. Assim não fico presa a uma lista como obrigação, afinal tudo pode mudar com o passar do tempo, inclusive a minha vontade de contemplar um título que combina ou não com o momento que vivo.

Por isso, estabeleci a minha meta apenas para o mês de janeiro. Veja abaixo.

1. A primeira leitura do ano é um clássico que namorei por um bom tempo, mas que só consegui comprá-lo no fim do ano passado: “Cem anos de solidão”.

CEM ANOS DE SOLIDÃO – Gabriel Garcia Marquez (Record)

Neste, que é um dos maiores clássicos de Gabriel García Márquez, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.

2. Daí, coloquei na meta conhecer finalmente Harry Potter. Não é um gênero que eu curto muito, mas, em 2020, estou me desafiando a ler histórias que não fazem parte de minhas preferências.

HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL – J.K. Rowling (Rocco)

Conheça Harry, filho de Tiago e Lílian Potter, feiticeiros que foram assassinados por um poderosíssimo bruxo, quando ele ainda era um bebê. Com isso, o menino acaba sendo levado para a casa dos tios que nada tinham a ver com o sobrenatural pelo contrário. Até os 10 anos, Harry foi uma espécie de gata borralheira: maltratado pelos tios, herdava roupas velhas do primo gorducho, tinha óculos remendados e era tratado como um estorvo. No dia de seu aniversário de 11 anos, entretanto, ele parece deslizar por um buraco sem fundo, como o de Alice no país das maravilhas, que o conduz a um mundo mágico. Descobre sua verdadeira história e seu destino: ser um aprendiz de feiticeiro até o dia em que terá que enfrentar a pior força do mal, o homem que assassinou seus pais, o terrível Lorde das Trevas.

O menino de olhos verdes, magricela e desengonçado, tão habituado à rejeição, descobre, também, que é um herói no universo dos magos. Potter fica sabendo que é a única pessoa a ter sobrevivido a um ataque do tal bruxo do mal e essa é a causa da marca em forma de raio que ele carrega na testa. Ele não é um garoto qualquer, ele sequer é um feiticeiro qualquer; ele é Harry Potter, símbolo de poder, resistência e um líder natural entre os sobrenaturais.

3. Jane Eyre é uma história que já havia começado a ler em 2019, mas parei porque é um livro que exige atenção, e eu não estava conseguindo seguir em frente com ele. Agora, de férias, quero retomar a leitura.

JANE EYRE – Charlotte Bronte (Nova Fronteira)

Considerado um dos maiores romances de língua inglesa, este livro acompanha o amadurecimento de Jane Eyre, uma personagem questionadora e carismática que deixou sua marca na literatura. Após tornar-se órfã e, ainda na infância, passar a viver na casa da tia enfrentando as mais difíceis privações, Jane fica anos em um internato, onde recebe educação e, posteriormente, um emprego. Contrariando o que se esperava de uma mulher na época, a protagonista busca novos desafios e se torna governanta de Miss Adèle, protegida de Mr. Rochester. Entre Jane e o novo patrão nasce uma paixão arrebatadora, obscurecida, no entanto, por um grave segredo que ele carrega. Publicado pela primeira vez em 1847, Jane Eyre é uma obra-prima de Charlotte Brontë, que abriu caminho para outras escritoras e revolucionou o fazer literário ao criar uma protagonista com anseios, reflexões e atitudes incomuns para seu próprio tempo.

4. “Pequenas grandes mentiras” eu resolvi ler porque ganhou adaptação cinematográfica. Gosto de ler o livro antes de ver o filme.

PEQUENAS GRANDES MENTIRAS – Liane Moriarty (Intrínseca)

Com muita bebida e pouca comida, o encontro de pais dos alunos da Escola Pirriwee tem tudo para dar errado. Fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis, os adultos começam a discutir já no portão de entrada, e, da varanda onde um pequeno grupo se juntou, alguém cai e morre.
Quem morreu? Foi acidente? Se foi homicídio, quem matou?

Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada.
Madeline é forte e decidida. No segundo casamento, está muito chateada porque a filha do primeiro relacionamento quer morar com o pai e a jovem madrasta. Não bastasse isso, Skye, a filha do ex-marido com a nova mulher, está matriculada no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline.

Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh, é uma mulher invejável. É magra, rica e bonita, e seu casamento com Perry parece perfeito demais para ser verdade.
Celeste e Madeleine ficam amigas de Jane, a jovem mãe solteira que se mudou para a cidade com o filho, Ziggy, fruto de uma noite malsucedida.
Quando Ziggy é acusado de bullying, as opiniões dos pais se dividem. As tensões nos pequenos grupos de mães vão aumentando até o fatídico dia em que alguém cai da varanda da escola e morre. Pais e professores têm impressões frequentemente contraditórias e a verdade fica difícil de ser alcançada.
Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana.

5. “Madame Bovary” também já está com uma boa parte lido. Chegou em uma determinada parte do livro que eu estava achando a leitura cansativa, chata mesmo. Então larguei-o de lado. Dando tempo, termino a leitura dele agora em janeiro.

MADAME BOVARY – Gustave Flaubert (L&PM Pocket)

Emma é uma mulher sonhadora, uma pequeno-bur­guesa criada no campo que aprendeu a ver a vida através da literatura senti­men­tal. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles Bovary, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento de uma filha dá alegria ao indissolúvel casamento no qual a protagonista sente-se presa. Como Dom Quixote, que leu romances de cavalaria demais e pôs-se a guerrear com moinhos, ela tenta dar vida e paixão à sua existência, escolha que levará a uma sucessão de erros e a uma descida ao inferno.

“Emma Bovary c’est moi”, disse Gustave Flaubert (1821-1880), o criador deste que é considerado o ápice da narrativa longa do século XIX – o chamado século de ouro do romance. Flaubert, o esteta, aquele que buscava o mot juste (a palavra exata) e burilava os seus textos por anos a fio, imbuiu-se da consciência e da sensibilidade da sua perso­nagem. Atingiu, com a irretocável prosa de Madame Bovary, o mais alto grau de penetração e análise psicológica da literatura universal. Nunca um romancista talhou com tanto esmero a mente e as aflições de sua personagem.

Agora é colocar as mãos na massa, ou melhor, os olhos nos livros e mandar ver. Espero que eu me delicie bastante com essas leituras. 😉

Até mais!

Eleanor Oliphant está muito bem

Convenhamos, “Eleanor Oliphant está muito bem” é um título bem sugestivo e diferente para um livro. A primeira coisa que nos perguntamos é quem é esta mulher. Eu tive muita curiosidade em conhecê-la e, para mim, foi um grande prazer essa experiência. Permita-me, então, apresentá-la para quem ainda não a conhece, por meio da minha leitura e o que ficou para mim da minha caminhada com Eleanor Oliphant.

Bem, no início da história, quando a própria Eleanor começa nos contando a sua vida, a impressão imediata que tive foi a de uma mulher fora da realidade, perturbada, totalmente alheia ao mundo a sua volta, como se tivesse sido trazida das cavernas para a civilização. No entanto, achei interessante que suas falas apresentavam-se formais e cheias de um humor certeiro, o que me revelou uma mulher também culta. Resumindo, convenci-me de que Eleanor é tão inteligente que não se encaixava no mundo em que vivia. Isto mais a sua forma de se vestir com trajes básicos e fora de moda, seus cabelos sem corte definido e uma cicatriz que atravessa sua face direita faziam dela uma pessoa rejeitada para um bom convívio. E ela não fazia questão alguma de ser sociável. Não tinha essa preocupação, ela se bastava, mas um dia ganhou ingressos no trabalho para um show em um pub e chamou um colega para ir junto. Neste ponto é que a vida de Eleanor começou a mudar. Ela se apaixona platonicamente pelo cantor da banda que se apresentava e sai de lá com a certeza de que ele era a sua “alma gêmea” e que seria uma questão de tempo para que o cantor tivesse o mesmo insight e os dois ficassem juntos. Delírios a parte, mesmo que eu tenha me perguntado várias vezes se seria como na imaginação dela, tal ardor fez com que Eleanor desse início a uma reconstrução de si mesma de forma surpreendente. Até então ela se satisfazia com a companhia de palavras cruzadas e garrafas de vodka os fins de semana. Uma vida de total solidão, em um apartamento pequeno e tão sem graça quanto ela. Cheguei a me compadecer de sua tristeza disfarçada em seu comodismo.

Continuando, a obsessão em encontrar o tal cantor tête-a-tête fez com que ela começasse a desfazer o casulo onde vivia. É o próprio lance da lagarta que se transforma em borboleta. Ela inicia ali a sua metamorfose e, aos poucos, vai se abrindo para a vida cuidando-se, permitindo-se socializar com pessoas a sua volta, descobrindo outros prazeres que merecia viver. No meio desse turbilhão de coisas que começaram a acontecer para Eleanor é fundamental dar créditos a duas pessoas que ajudaram nesse desabrochar: Raymond, um colega de trabalho, e Sammy, um senhorzinho que passa mal na rua e é socorrido por Eleanor e Raymond. Esse senhor passa a ser o elo entre os dois, garantindo que Eleanor se renda à amizade sincera de Raymond e, consequentemente, dê vazão à verdadeira mulher que se esconde dentro dela, e por aí vai a história.

Agora, é preciso abrir um parênteses para falar sobre a mãe de Eleanor, peça importante para se entender melhor a protagonista. São estranhas sua ligações todas as quartas-feiras à noite para a filha, feitas de uma prisão. Uma mulher rude, debochada e obscura, que sugestiona a filha todas as vezes em que se falam. Esses telefonemas deixam subentendidas questões do passado de Eleanor que descobrimos no decorrer da narrativa e que nos leva a entender o mundinho construído por ela tão criteriosamente como forma de proteção.

“Mamãe sempre me dizia que sou feia, esquisita, desprezível. Ela fazia isso desde que eu era pequena, mesmo antes que adquirisse minhas cicatrizes. Então me senti muito bem por fazer essas mudanças. Excitada. Eu era uma tela em branco.”. Com isso digo: é surpreendente o desfecho dessa história.

Como considerações finais, deixo duas observações: a primeira é que o livro espera de nós uma leitura tranquila, calma, porque nos traz detalhes que não podem ser perdidos pelo meio do caminho. Perdê-los é perder um pouco da Eleanor que vai se transformando narrativa afora; a segunda, “Eleanor Oliphant está muito bem” não é uma comédia romântica com aqueles finais felizes e melosos, mas é cativante ao nos presentear com uma personagem tão linda em todos os sentidos, até mesmo em sua crueza do início. Ressalto, é uma grata leitura que agora está na minha pilha de livros marcantes.

Eu recomendo!

Até a próxima!

O poder dos booktubers

Para quem é apaixonado por livros, é incontestável a influência que booktubers podem exercer sobre essas pessoas. Digo isso pois sou uma bibliófila assumida e costumava perder algumas horas contemplando vídeos desse tipo (ou ganhando, né, dependendo da ocasião). Antes de termos um mundo literário virtual a nosso dispor, quem costumava me enfeitiçar eram as livrarias com os seus muitos livros lindos expostos em bancadas ou estantes, disponíveis para o manuseio e apreciação, e era impossível sair da loja sem, pelo menos, um exemplar na sacola. Hoje perdemos um pouco esse contato com o livro na hora da compra, quando optamos pelas lojas virtuais. É uma relação cliente <–> produto sem a apreciação da obra ao vivo, sem o passar da mão pela capa ou o folhear das páginas. Tudo é feito à distância, por meio da tela fria de um computador ou celular. Diante dessa realidade, quem passou a fazer todo esse processo por nós foram os booktubers, ao ostentarem livros maravilhosos em seus vídeos, às vezes imensos, passando-os um a um bem no nosso nariz, incitando nossa vontade de possuí-los o mais rápido que pudermos. Que saco isso, viu?! kkkkk O pior é que eu sentia um certo prazer em vê-los apresentarem obras adquiridas ou recebidas por parceiros. Parece uma hipnose, a gente fica em transe, sei lá! Assim, a nossa lista de desejados acaba crescendo e, antes mesmo de comprarmos alguns dos títulos selecionados, já acrescentamos o dobro de livros ao nosso rol de queridos, tudo isso resultado do trabalho desses influenciadores que costumamos seguir. Isto quer dizer que eles desempenham bem o papel que lhes cabe e as “amazons” agradecem. E digo: que trabalho prazeroso esse, pelo menos no que se refere ao contato com tantos e diferentes livros. Quisera eu ter uma ocupação assim tão deliciosa. Pena que o vídeo e eu não nos entendemos muito bem. Do contrário, talvez eu me enveredasse por este vasto mundo dos livros, atuando como uma booktuber também. Talvez. Como sou mais da palavra escrita, deixo esse ofício para quem o sabe fazer e os reverencio por isso.

Valeu, pessoal!